> Versão on-line da coluna sobre cinema da GAZETA DO PARANÁ <
ANDERSON ANTIKIEVICZ COSTA
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CINEMA E JORNALISMO II
“Análise da abordagem cinematográfica do Jornalismo Literário no filme ‘A Sangue Frio’, de Richard Brooks, a partir da obra homônima de Truman Capote” – Parte II, por Anderson Antikievicz Costa e Jacidio Junior, sob orientação de Luiz Carlos Sonda. Na coluna de hoje, como adiantado, falaremos brevemente do que vem a ser o Jornalismo Literário, para posterior relação com o cinema.
Jornalismo Literário
No Brasil, alguns autores afirmam que Jornalismo Literário é o período da história do jornalismo no qual os responsáveis pelas redações, os articulistas, os cronistas e os autores de folhetins, eram escritores, o que ocorreu, principalmente, no século XIX. Para outros, o Jornalismo Literário diz respeito somente às críticas literárias veiculadas nos jornais. Há ainda quem defenda que se trata do próprio Novo Jornalismo – um gênero posterior ao Jornalismo Literário - e, por fim, há teóricos que o consideram somente presente nas biografias, nos romances-reportagens e na ficção-jornalística. Para estudo, o pesquisador Felipe Pena compreende todas as definições citadas como subgêneros do Jornalismo Literário e acrescenta: “acredito que o conceito está fundamentalmente ligado a uma questão lingüística” (PENA, 2006, p. 21). Pensando em exemplificar o conceito, Pena traz sete princípios básicos que cabe ao jornalista Literário: a) Potencializar os recursos do jornalismo. b) Ultrapassar os limites dos acontecimentos cotidianos. c) Proporcionar visões amplas da realidade. d) Exercer plenamente a cidadania. e) Romper as correntes burocráticas do lead (Walter Lippman, autor de “Public Opinion” (1922), diz que o lead traz certa cientificidade à notícia, sem brechas para subjetividade. Para isso seria necessário no primeiro parágrafo da notícia responder as questões: Quem? O quê? Como? Onde? Quando? Por quê? A fórmula realmente tornou a imprensa mais ágil e menos prolixa, embora a subjetividade não tenha diminuído. A opinião ostensiva foi apenas substituída por aspas previamente definidas e dissimuladas no interior da fórmula. Para a socióloga Gaye Tuchman, por exemplo, a objetividade nada mais é do que um ritual de autoproteção dos jornalistas. E a pasteurização dos textos é nítida. Falta criatividade, elegância e estilo (PENA, 2006, p. 15). Diante de tal quadro, se faz necessária a quebra dessa padronização em prol de um texto mais rico em estilo e informação). f) Evitar os definidores primários (prefeitos, vereadores, ministros…). g) Garantir perenidade e profundidade aos relatos. “No dia seguinte, o texto deve servir para algo mais do que simplesmente embrulhar o peixe na feira” (PENA, 2006, p. 13). A jornalista Fernanda Paola, da revista Cult, lembra que a percepção, a construção cena a cena, a reprodução de diálogos, os gestos, os hábitos, os modos, as roupas, as expressões faciais e o comportamento do personagem são fundamentais para o texto jornalístico-literário. Quanto mais detalhes, mais rico é o produto final. O processo de apuração das informações, nesse caso, obviamente é mais trabalhoso e demorado (CULT, Ano 8, n.º 93, p. 11). Edvaldo Pereira Lima em seu artigo “Jornalismo Literário no cinema” , diz que “Jornalismo Literário que se preza envolve a imersão do repórter na realidade que deseja retratar, a exatidão no relato do acontecimento e situações, a leitura simbólica do mundo que observa, estilo, uma voz narrativa distinta e às vezes digressões que abram uma reflexão profunda sobre o tema subjacente à narrativa. Busca unir a compressão racional do mundo com o entendimento intuitivo, passando pela leitura sensível de pessoas, ações, cenários e contextos. Une razão e lógica, integra as esferas objetiva e subjetiva que constituem a realidade integrada”. Na parte III: Novo Jornalismo e os gêneros no documentário brasileiro.
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